Por Reinaldo Azevedo
Políticos precisam saber ler o momento. FHC soube fazê-lo em 1994 — na verdade, um pouco antes, com o Plano Real. Luiz Inácio Lula da Silva e seu PT achavam que o povo brasileiro já não agüentava mais as “injustiças históricas” dos manuais da Fefeléchi, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, que tem mais esquerdistas do que Havana. Besteira! Ele estava com o saco cheio da inflação. Debelada, entraram no mercado alguns milhões de consumidores, que passarão a ter uma vida estável e previsível. Com a economia arrumada, um desarranjo que vinha de muitos anos, Lula pôde falar em esperança. Ele não alcançou o poder vendendo luta de classes, mas integração de classes. Era chegada a hora do pobre, das massas etc. À sua maneira, foi um movimento conservador da ordem, para desagrado da extrema esquerda. “Então por que você, que é conservador, Reinaldo, não é petista?” Porque sou um democrata, e os petistas não são. Mas isso é pra outro texto.